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Palestra dia 18/08/2016

A menoridade das minorias

Ultimamente a união dos grupos chamados de “minorias” colocou em pauta a discussão de diversos temas que até então sistematicamente eram varridos para debaixo do tapete. As redes sociais e as novas formas de divulgação de informações e trocas de ideias facilitaram e muito a mobilização desses grupos para reivindicar os seus direitos, discutirem seus pontos de vista, apoiarem-se mutuamente fazer pressão social para serem vistos, ouvidos e atendidos. Alguns grupos já conseguiram grandes avanços, outros ainda carecem de uma representatividade mais efetiva para mobilizar maiores camadas da população. Essa capacidade de aglutinação esbarra em preconceitos existentes entre os grupos minoritários, que muitas vezes reivindicam direitos para si, mas ainda não reconhece os dos outros grupos. Vemos muitas vezes negros criticando o racismo e sendo coniventes com o machismo, mulheres enaltecendo o feminismo e o empoderamento feminino sem nenhuma sensibilização com as questões indígenas ou dos g...

Queremos igualdade?

Não queremos igualdade, ela nos incomoda. Os discursos a favor da igualdade são feitos sempre por aqueles que estão por baixo, que detêm menos poder que os outros. Os que se encontram em alguma posição de destaque ou socialmente superiores aos outros dificilmente cedem a esse discurso. As pessoas querem se diferenciar umas das outras, possuir algo que as afastem da multidão, que as tornem únicas. O que mais as incomoda é a sensação de se diluir na massa uniforme e não encontrarem nada em si que as faça se sentirem superiores aos outros. Por isso a moda da “ostentação” ganha tanta força: as pessoas querem mostrar que possuem coisas, amigos melhores que os dos outros, que frequentam os lugares mais desejados, possuem uma vida digna de se inspirar inveja, que são um monumento de poder rodeado de “recalque” por todos os lados... Pertencem ao povão, mas abominam qualquer manifestação que as identifiquem ou as aproximem da plebe. Nesse sentido podemos notar como a democracia também é u...

O ENEM e a nossa falta de educação

O ENEM 2015 despertou algumas questões latentes em nossa sociedade e que, como é hábito em nossa cultura, sempre empurramos para debaixo do tapete os postergamos o seu enfrentamento à luz de um debate mais aprofundado. Para além da discussão sobre a igualdade de gênero e da violência contra a mulher, também se fez nítida a percepção sobre o quanto os nossos representantes, tanto políticos quanto religiosos, tanto quanto a população em geral estão pouco embasados para debater de forma madura e saudável os temas elencados. O que mais choca nas discussões a respeito da necessidade ou não de se abordar este tema na avaliação ou do uso político que dele possa se ter feito não é a abordagem passional que se vê nas ruas ou na Internet, visto que são lugares onde não se espera muito de quem emite seu parecer a respeito disso. O que mais provoca desalento de ambos os lados é ver supostos intelectuais ou pessoas que deveriam ter um conhecimento além do senso comum a respeito do tema digladia...

Brasil: Uma breve leitura

Em 2013 uma onda de protestos tomou conta do país, e um dos slogans utilizados pela multidão era “o gigante acordou”. De certa forma isso tinha um fundo de verdade e até hoje podemos perceber os reflexos positivos desse “despertar”: questões que antes não eram tão discutidas e de interesse público passaram a fazer parte das discussões em família, grupos de amigos e conhecidos e principalmente ainda povoam largamente as redes sociais. Porém, uma outra realidade também foi descortinada com essa retomada de discussões a respeito de temas que tanto dizem respeito ao interesse geral quanto suscitam a mais diversas abordagens: a cada discussão, seja ela em casa, nas ruas ou na Internet fica escancarado que o gigante acordou com raiva, abalado, sedento por melhorias e soluções para as mazelas antigas e recentes. Mas esse gigante é incapaz de perceber que ele é um semianalfabeto, massa de manobra que se escolarizou precariamente e foi induzido a pensar que está habilitado a observar a real...

O relacionamento ideal

Se relacionar é criar expectativas. Toda vez que nos relacionamos, seja de que forma for, com qualquer pessoa, inevitavelmente criamos expectativas em relação a esta pessoa e ela em relação a nós. Queremos ser amados pelos namorados, maridos, esposas, admirados pelos amigos, respeito por parte dos patrões ou dos empregados, lealdade de todos eles e por aí vai. Se estabelecemos uma relação sem qualquer tipo de expectativa, dificilmente essa relação tem para nós algum significado mais profundo. Ela certamente nos é um elo descartável. Até aí nenhuma novidade, o problema é conciliar as expectativas que temos em relação aos outros com aquelas que eles possuem em relação a nós. Às vezes não estamos dispostos a dar aos outros o mesmo que exigimos que eles nos ofereçam. Às vezes são eles é que têm essa postura. Nosso conceito de amor, amizade, companheirismo pode não coincidir com aqueles das pessoas com as quais convivemos e a forma de demonstrar esses sentimentos podem variar daquelas q...