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Postagens

Aos “amantes” dos animais

Nos últimos tempos, e principalmente nas últimas semanas, vem sendo levantado um grande debate sobre os direitos dos animais e do papel dos grupos de defesa dos mesmos. Apesar do grande avanço da tecnologia e da substituição progressiva do uso de cobaias animais por outros tipos de análise de novos medicamentos, cosméticos etc. ainda podemos perceber que em muitos setores a sua utilização em lugar de seres humanos para testes em geral é praticada sem maiores constrangimentos. Obviamente, poucos dirão que os maus tratos ou mesmo a exposição desses animais a produtos que podem ser nocivos é algo desejável ou que o tratamento recebido por eles deva ser degradante ou violento. Porém, o que choca em alguns integrantes desses grupos defensores dos direitos dos animais é o total desprezo pelo ser humano em relação ao afeto que demonstram pelos bichos que defendem, como se o amor por uma espécie implicasse necessariamente o desdém pela outra. Não faltam comentários de os animais são preferív...

A condenação da liberdade

Sartre dizia que “estamos condenados à liberdade”. Isso parece ser uma grande verdade. E o termo que ele utiliza para se referir a nossa liberdade, a “condenação” a qual estamos submetidos e, portanto, irremediavelmente livres também é um termo muito oportuno. O fato de nos crermos livres e donos do nosso destino é o principal causador de nossas angústias, pois caso contrário só teríamos que nos conformar com o destino ou qualquer outro nome que quiséssemos dar para a força que nos moveria a um fim pré-determinado e sem respeitar as nossas escolhas. Porém, crermos que somos donos de nossos destinos e artífices de nosso mundo nos coloca frente a frente com a responsabilidade de arcar com o peso de tudo quanto decidimos e de todos os futuros aos quais recusamos. Optar por algo significa ignorar todas as outras possibilidades que a vida nos oferece, negar a concretização de tantos outros modos de ser e viver aos quais também de certa forma nos apetecem. Isso tudo em um mundo onde somos...

O medo das mudanças

Mudar nunca é um processo fácil. Mesmo quando temos total convicção de que estamos tomando a decisão correta ainda nos vemos podando a nós mesmos com nossas travas e nossas autossabotagens. Às vezes o medo do desconhecido parece mais assustador do que o desconforto já familiar. Por isso frequentemente vemos pessoas que reclamam da atual situação em que vivem, porém não se mobilizam para aproveitar as chances que a vida proporciona para que possam alterar seu estado atual. Seja no emprego, relacionamento ou qualquer outro aspecto de suas vidas, as pessoas apresentam uma enorme resistência ao novo e às alterações bruscas em suas rotinas. A rotina acima de tudo traz uma sensação de segurança a quem a vivencia, faz com que se tenha a sensação de que se pode fugir do imprevisto, do desconhecido, de tudo aquilo com o qual ainda não nos deparamos e não sabemos se conseguiremos lidar. A situação atual, por pior que seja, representa nossa segurança, nossa zona de conforto e toda a rotina que ...

Autoamarras

Passei vários meses sem escrever, e alguns amigos já começavam a me cobrar por isso. Eu também confesso que já começava a ver este espaço como uma espécie de “obrigação”, pensava talvez que aqueles que sempre buscavam os meus textos poderiam desanimar e deixar de buscar por minhas publicações por conta do meu pretenso “sumiço”. Depois comecei a pensar melhor na questão e me percebi já envolvido um pouco nessa trama de achar que possuía um “compromisso” e um ”nome a zelar”, mesmo com este blog tão modesto como é o meu. Creio que boa parte das coisas que fazemos na vida também possuem esta inspiração: começamos sem saber direito no que vai dar, depois acabamos nos envolvendo com aquilo e logo achamos que devemos, de qualquer forma, manter aquela imagem que foi criada, ou que nós mesmos criamos, daquilo que somos ou fazemos. E o que era prazer, projeto ou algo assim passa a adquirir características de obrigação, compromisso, dever... E passamos a fazer as coisas não mais pela motivação ...

O espaço da individualidade hoje

Muito se fala que a sociedade em que vivemos é individualista, que as pessoas só pensam em si mesmas e não se importam com o próximo. O indivíduo, por definição, “aquele que não se divide”, que possui uma dimensão própria e inconfundível com qualquer outro ser, deveria, com base nessa delimitação de significado, ter uma dimensão pessoal bem definida e isolada dos outros seres. Mas qual é o verdadeiro espaço da individualidade humana em um mundo que nos exige a todo momento que compartilhemos tudo o que se passa conosco seja por fotos, mensagens em redes sociais (que hoje mais se assemelham a diários abertos, bem diferentes dos antigos que eram secretos), comportamentos extrovertidos e isentos de timidez... Enfim, vivemos em um mundo dito individualista, mas no qual não há um espaço reservado para o indivíduo e sua singularidade. Tudo o que se passa com os indivíduos tem que ser imediatamente divulgado seja comentando no Twitter, Tmbler ou Facebook, postando as fotos dos lugares, pessoa...

O preconceito no vocabulário

O preconceito não é algo novo e nem podemos conviver totalmente sem ele. Sempre estamos a rotular situações e pessoas com base em pressupostos que nos permitem identificar rapidamente, mas que ao mesmo nos afastam de um a experiência própria a respeito de um determinado tema. O preconceito se encontra em toda parte, e quando ele se apossa de certos setores como a nossa linguagem, ele passa a influenciar nossa forma de pensar e lidar com determinadas situações e, consequentemente, justifica uma criação preconceituosa de juízos de verdade e de valor por meio de termos corriqueiros, com ares de comentários espontâneos sobre um tema específico, não nos deixando perceber as visões pré-concebidas que fundamentam tais afirmações. Exemplos dessa contaminação da linguagem cotidiana pelo preconceito são os termos como os que se usam para dizer que alguém é muito esfomeado: “você parece que veio do Ceará”, dando a entender que as pessoas que habitam esse local são todas privadas de alimentos e se...

Interagindo com o leitor

Quero agradecer aos meus leitores, tanto os do Brasil quanto o de outros países, gente que eu nem esperava que fosse se interessar pelos meus escritos. Quero agradecer principalmente aos leitores da Suécia, Estados Unidos, Alemanha e Rússia, que fora do país compõem o meu maior público. Fico muito honrado em perceber a recepção que meus escritos encontram nesses países. Para aumentar a interação entre nós, quero pedir que me mandem sugestões sobre temas que sejam do interesse de vocês, meus leitores, e que talvez ainda não tenham sido contemplados nos artigos que já foram postados. Conto com a colaboração de todos, para fazer deste espaço não só um lugar para eu postar aquilo que penso, mas também para dialogarmos sobre temas relevantes, polêmicos ou que simplesmente despertam a nossa criticidade. Grande abraço a todos!!!