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Mostrando postagens com o rótulo democracia

Democracia é dar voz ao outro, portanto não me agrada

Não somos fãs da democracia. Aliás, nem a conhecemos o suficiente para dela fazermos uma análise adequada e dizermos o quanto ela nos agrada ou não. Conhecemos apenas uma pequena parcela de suas atribuições, que se pauta na resolução de problemas através da votação para constatar qual é a vontade da maioria. Democracia é mais do que isso, ela é uma forma ampla de ver e viver a vida em conjunto, promovendo ampla participação e a troca construtiva entre as mais diversas vertentes e opiniões divergentes. Nossa sociedade não abre espaço de participação adequada para esse tipo de participação, mas vários setores e segmentos se apressam em dizer que essa forma de gerenciamento e condução da vida conjunta não funciona e que é preferível um poder centralizador que mantenha a ordem do que o debate exaustivo e que culmine em demasiado atendimento a interesses de outras vertentes que não as suas. Não possuímos nenhuma instituição genuinamente democrática. Família, escola, empresas, igreja ...

Quanto mais tenho certeza, menos quero dialogar

As convicções são inimigas do diálogo. Se alguém acredita estar imbuído de razão indiscutível a respeito de algo, dificilmente se abrirá ao diálogo. O diálogo é para quem aceita a possibilidade de verdade também no discurso do outro, quem está disposto a realmente colocar as suas convicções à prova. É algo bastante paradoxal quando observado com maior proximidade: quanto mais óbvia parece uma verdade a alguém, menos essa pessoa está disposta a defendê-la dentro de um debate aberto, alegando que seu ponto de vista é tão nítido e claro, portanto incabível de discutir. E quem o contraria certamente renunciou à razão ou está agindo de maneira mal intencionada. Ou seja, o argumento se volta para desqualificar o oponente e não as suas ideias. O outro vira inimigo e indigno de crédito a partir do momento em que discorda em algo considerado relevante. As pessoas confundem debate com bate-boca. Troca de argumentos, com troca de ofensas. Como se a verdade pudesse ser imposta por meio da fo...

Queremos igualdade?

Não queremos igualdade, ela nos incomoda. Os discursos a favor da igualdade são feitos sempre por aqueles que estão por baixo, que detêm menos poder que os outros. Os que se encontram em alguma posição de destaque ou socialmente superiores aos outros dificilmente cedem a esse discurso. As pessoas querem se diferenciar umas das outras, possuir algo que as afastem da multidão, que as tornem únicas. O que mais as incomoda é a sensação de se diluir na massa uniforme e não encontrarem nada em si que as faça se sentirem superiores aos outros. Por isso a moda da “ostentação” ganha tanta força: as pessoas querem mostrar que possuem coisas, amigos melhores que os dos outros, que frequentam os lugares mais desejados, possuem uma vida digna de se inspirar inveja, que são um monumento de poder rodeado de “recalque” por todos os lados... Pertencem ao povão, mas abominam qualquer manifestação que as identifiquem ou as aproximem da plebe. Nesse sentido podemos notar como a democracia também é u...