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O espaço da individualidade hoje

Muito se fala que a sociedade em que vivemos é individualista, que as pessoas só pensam em si mesmas e não se importam com o próximo. O indivíduo, por definição, “aquele que não se divide”, que possui uma dimensão própria e inconfundível com qualquer outro ser, deveria, com base nessa delimitação de significado, ter uma dimensão pessoal bem definida e isolada dos outros seres. Mas qual é o verdadeiro espaço da individualidade humana em um mundo que nos exige a todo momento que compartilhemos tudo o que se passa conosco seja por fotos, mensagens em redes sociais (que hoje mais se assemelham a diários abertos, bem diferentes dos antigos que eram secretos), comportamentos extrovertidos e isentos de timidez... Enfim, vivemos em um mundo dito individualista, mas no qual não há um espaço reservado para o indivíduo e sua singularidade. Tudo o que se passa com os indivíduos tem que ser imediatamente divulgado seja comentando no Twitter, Tmbler ou Facebook, postando as fotos dos lugares, pessoa...

O preconceito no vocabulário

O preconceito não é algo novo e nem podemos conviver totalmente sem ele. Sempre estamos a rotular situações e pessoas com base em pressupostos que nos permitem identificar rapidamente, mas que ao mesmo nos afastam de um a experiência própria a respeito de um determinado tema. O preconceito se encontra em toda parte, e quando ele se apossa de certos setores como a nossa linguagem, ele passa a influenciar nossa forma de pensar e lidar com determinadas situações e, consequentemente, justifica uma criação preconceituosa de juízos de verdade e de valor por meio de termos corriqueiros, com ares de comentários espontâneos sobre um tema específico, não nos deixando perceber as visões pré-concebidas que fundamentam tais afirmações. Exemplos dessa contaminação da linguagem cotidiana pelo preconceito são os termos como os que se usam para dizer que alguém é muito esfomeado: “você parece que veio do Ceará”, dando a entender que as pessoas que habitam esse local são todas privadas de alimentos e se...

Interagindo com o leitor

Quero agradecer aos meus leitores, tanto os do Brasil quanto o de outros países, gente que eu nem esperava que fosse se interessar pelos meus escritos. Quero agradecer principalmente aos leitores da Suécia, Estados Unidos, Alemanha e Rússia, que fora do país compõem o meu maior público. Fico muito honrado em perceber a recepção que meus escritos encontram nesses países. Para aumentar a interação entre nós, quero pedir que me mandem sugestões sobre temas que sejam do interesse de vocês, meus leitores, e que talvez ainda não tenham sido contemplados nos artigos que já foram postados. Conto com a colaboração de todos, para fazer deste espaço não só um lugar para eu postar aquilo que penso, mas também para dialogarmos sobre temas relevantes, polêmicos ou que simplesmente despertam a nossa criticidade. Grande abraço a todos!!!

Por que os atos bárbaros nos chocam tanto?

É só ligarmos o televisor em qualquer canal e sempre nos deparamos com o mesmo tipo de cena: a maior parte do noticiário é composta por notícias negativas e são exploradas de forma exaustiva casos em que crimes foram cometidos com extrema crueldade. E não podemos reclamar só da ênfase dada pelos noticiários a esse tipo de notícia, pois se elas veiculam com mais frequência certamente é porque atraem mais a atenção do telespectador do que outras menos graves ou contundentes. Ao mesmo tempo em que chocam, esses crimes causam um grande fascínio sobre o público em geral, uma espécie de aberração que, apesar de tudo, parece tão fascinantemente humano que nos levam a questionar até que ponto nós também não estamos sujeitos a esse mesmo tipo de comportamento. Talvez o que mais choque nesses casos é perceber que eles foram cometidos por gente comum, que poderia ser algum vizinho nosso, um parente, um companheiro, um filho, um pai ou nós mesmos. Nada de substancial parece nos separar dos crimi...

Sobre os “coitadinhos”

De uns tempos pra cá tenho procurado tomar muito cuidado com os chamados coitadinhos. Quem já leu o filósofo Nietzsche deve ter percebido como ele trata brilhantemente desse tema em alguns de seus textos. Sua crítica, que no começo nos soa um tanto indigesta e mal vinda, depois de algum tempo e de algumas considerações mais aprofundadas, nos fazem perceber o quanto nos iludimos e nos desviamos daquilo que acreditamos estarmos realmente fazendo. No que se refere aos coitadinhos, muitas vezes tentando ajudar e sermos caridosos, prestativos, humanos, não nos damos conta que, ao nos acharmos superiores, mais bem posicionados social e intelectualmente que eles, acabamos por dar-lhes a entrada que os mesmos precisam para se instalarem em nossas vidas e se tornarem os nossos senhores e comandantes. Isso mesmo, eu disse que eles é que passam a nos comandar. Veja bem: imagine aquela pessoa que te pede ajuda e te diz que você pode ajudá-lo porque você é mais competente, mais inteligente, mais is...

Felicidade: um esboço

Observando-se a contradição que parece existir quando se pensa em uma vida feliz e realizada, a saber, a vontade de se acessar um estágio de plenitude, realização e tranquilidade e, ao mesmo tempo, perceber o quanto nos entediamos rapidamente quando atingimos algo que desejávamos ou a rapidez com a qual substituímos um objetivo alcançado por outro ainda por atingir. Alcançar o meio-termo não é fácil e muitas vezes acabamos nem mesmo aproveitando as conquistas obtidas, perdendo assim a capacidade de nos alegrar com os nossos próprios êxitos e vivendo sempre em busca daquilo que não possuímos, desperdiçando o que temos nas mãos em virtude do que sempre está por vir e que talvez nunca chegue. Talvez, pensando nas premissas dadas, possamos concluir, percebendo que a vida é um constante processo e que sempre teremos mais e mais atividades a realizar, metas a perseguir, até o fim de nossos dias, que a felicidade seria ter a impressão de que, apesar dos percalços, estamos seguindo o “nosso” c...

Nossa suposta liberdade de expressão

Vivemos em um país que se orgulha de ser multicultural, multirracial, multirreligioso e que, portanto, propicia uma conivência pacífica e harmoniosa entre os mais variados grupos, favorecendo assim a tolerância e a liberdade de expressão. Mas não é preciso ir muito longe para nos darmos conta de que essa suposta liberdade não passa de uma fachada muito superficial e mal disfarçada. A liberdade de expressão só é bem vista e tolerada pacificamente enquanto não se desvia demais das visões predominantes em nossa sociedade. Aquilo que o nosso senso comum já tem como algo correto é assimilado e repetido sem nenhuma tentativa de refutação, mas aquelas opiniões que escapam do pensamento corrente são rechaçadas com escárnio, arrogância e por vezes até mesmo com violência pelos grupos predominantes. Se alguém demonstra publicamente que é cristão, dificilmente achará quem lhe chame a atenção por sua postura ou que tome providências para impedir que sua atitude. Porém, se alguém tenta publicamen...