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O que querem os alunos da USP?

Semana passada presenciamos um fato bastante curioso: Um grupo de estudantes da USP entrou em confronto com a polícia militar nos arredores da faculdade e depois tomaram a reitoria em sinal de protesto. Entretanto, os motivos dessa agitação toda e o mérito da atitude em questão não foram tomados como objeto de debate em nenhuma emissora que eu me recorde. Quais foram os verdadeiros motivos que levaram a toda essa confusão? Ao que parece, e pelo menos até o momento não foi divulgado nem pelas emissoras de TV e nem pelos próprios estudantes argumentos melhores que estes, a confusão se deu porque três estudantes do campus em questão foram abordados pelos policiais militares e foi constatado que os mesmos portavam maconha. Autuados, seriam levados à delegacia para assinarem um termo relatando o fato e seriam liberados. Os colegas, não querendo que esse procedimento fosse realizado, enfrentaram a polícia e iniciou-se a confusão. Depois do enfrentamento, alguns estudantes tomaram a reitoria...

A medida do respeito

É muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que respeitam os outros na medida em que esses outros também as respeitam. Isso dá a elas uma noção de reciprocidade, de que o outro deve ser responsável e se conscientizar de que para ser respeitado ele deve primeiro se mostrar digno de receber esse respeito. Alguns até falam em alto e bom som: “quem não se dá ao respeito não merece ser respeitado”. Contudo, essa mentalidade não tarda a apresentar complicações. Primeiro, por estarmos sempre esperando que o outro nos demonstre motivos para que possamos dedicar-lhe algum respeito; caso contrário, não o respeitamos. Se exigimos do outro um pré-requisito além do fato dele ser um ser humano assim como nós, que provavelmente deseja ser respeitado na mesma medida em que nós desejamos e também espera de nós alguma atitude inicial considerada digna de respeito, acabamos por criar uma atitude defensiva e restritiva, que no fundo tende mais a afastar o convívio pacífico do que realmente ajudar a propor...

Sobre amores e jardins

Costumo comparar a arte de amar e se cuidar dos amores como sendo da mesma espécie dos cuidados que se deve ter ao cuidar de um jardim e das plantas em geral. Uma arte que pede uma sutileza que infelizmente poucos possuem, e, quando a possuem, facilmente a deixam escapar por entre os dedos. O amor, tal qual um jardim, tem que ser cuidado constantemente. Algumas situações pedem um cuidado maior do que outras, assim como determinadas plantas são mais sensíveis do que as demais. Qualquer imprevisto ou choque brusco pode botar uma planta a perder, do mesmo modo que um amor pode ser abalado e perecer por qualquer dano, descuido ou intempéries diversas. Dar a cada planta aquilo que ela necessita e no momento em que necessita só pode ser tarefa para aquele que está em constante contato com ela, que a percebe, intui suas vontades, reconhece suas mais variadas nuances e no tempo certo aplica o remédio, coloca-lhe o adubo, molha suas raízes e folhas. Da mesma maneira, aquele que consegue mant...

A prostituição nossa de cada dia

É muito comum ouvirmos comentários sobre como a vida das prostitutas deve ser penosa e vazia. E não é para menos: alugar o corpo e ficar a mercê do outro por um determinado tempo, ceder às vontades dessa pessoa e se colocar na condição de objeto. Algo realmente muito degradante. Mesmo pensando que muitas recebem um alto valor por seus serviços, isso não parece desfazer totalmente a sensação de que essa prática configura algo indesejável e aviltante. Porém, observando melhor essa condição que a maioria considera humilhante também poderíamos formular a seguinte pergunta: não é isso que também nós, cidadão comuns fazemos todos os dias ao sair de casa rumo aos nossos empregos? Rotina estressante, submissão a uma série de regras que não escolhemos e às quais temos que nos curvar, uma relação custo-benefício na qual sempre temos a impressão de que estamos perdendo... Também colocamos nossos corpos à disposição de um patrão ou uma empresa por um determinado tempo todos os dias, e somos pag...

Cuidado: a morte ronda a tua escola

Depois do fato ocorrido na escola do ABC Paulista, onde um aluno de dez anos atirou na professora e depois se suicidou, creio que seja a hora de pensarmos mais um pouco sobre os rumos da educação no Brasil. Esse caso pode ter sido uma fatalidade, mas está longe de ser um fato isolado para muitos professores de todo Brasil. É comum ouvir críticas ao modelo de educação aplicado no Brasil, mas pouco se fala do profissional acuado dentro da sala de aula, sem nenhum direito, com excesso de cobranças, mal remunerado e que ainda por cima carrega o fardo de “preparar o futuro do país”. Os nossos políticos ganhando mais de vinte mil reais por mês não conseguem preparar meia dúzia de leis e ainda acham que alguém ganhando pouco mais que um salário mínimo tem condições de dar conta de preparar as futuras gerações. Muitos secretários da educação dizem que o problema não é só o salário (o deles com certeza não é mesmo), mas há algum tempo atrás um deputado disse que nenhum cidadão comum consegue...

Os novos meios de entorpecimento da mente

A preocupação com o aumento dos casos de alcoolismo e dependência química tem aumentado muito e tem sido bastante divulgado ultimamente. E não é para menos, pois cada vez mais casos vêm aparecendo e cada vez com pessoas mais e mais jovens. O vício não escolhe faixa etária, classe social ou qualquer outro tipo de distinção entre as pessoas. E se essa preocupação é legítima, outra não menos importante, embora menos divulgada ou percebida, também se alastra pela nossa sociedade. É o vício em toda a parafernália eletroeletrônica que já tomou conta do nosso dia-a-dia. Obviamente devemos ressaltar as grandes vantagens que nos trouxeram a televisão, o telefone celular e a Internet, isso é indiscutível. Mas também não podemos deixar de lado o quanto nos tornamos dependentes destes meios e o quanto sua falta, mesmo que por pouco tempo nos causa angústia e pavor da mesma forma que a falta de um entorpecente qualquer gera em um viciado. Somos tomados por uma espécie de síndrome da abstinência. M...

Agradecimento

Obrigado a todos os meus amigos e leitores pela ultrapassagem da marca de mil acessos no meu blog "Considerações Cotidianas", quero dizer que estou muito feliz e agradecido. Espero continuar podendo proporcionar a todos uma leitura agradável e temas relevantes para se refletir. Valeu!!!