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Sobre amores e jardins

Costumo comparar a arte de amar e se cuidar dos amores como sendo da mesma espécie dos cuidados que se deve ter ao cuidar de um jardim e das plantas em geral. Uma arte que pede uma sutileza que infelizmente poucos possuem, e, quando a possuem, facilmente a deixam escapar por entre os dedos.
O amor, tal qual um jardim, tem que ser cuidado constantemente. Algumas situações pedem um cuidado maior do que outras, assim como determinadas plantas são mais sensíveis do que as demais. Qualquer imprevisto ou choque brusco pode botar uma planta a perder, do mesmo modo que um amor pode ser abalado e perecer por qualquer dano, descuido ou intempéries diversas.
Dar a cada planta aquilo que ela necessita e no momento em que necessita só pode ser tarefa para aquele que está em constante contato com ela, que a percebe, intui suas vontades, reconhece suas mais variadas nuances e no tempo certo aplica o remédio, coloca-lhe o adubo, molha suas raízes e folhas. Da mesma maneira, aquele que consegue manter o seu amor vivo e atuante é aquele que percebe momento certo de fazer cada coisa, sem sufocar o outro e ao mesmo tempo sem se afastar demais. O equilíbrio é fundamental. Cada momento deve ser um momento de prazer, mas também de vigília, pois o descuido vai tornando a relação cada vez mais árida, mais sem vida, e quem não for capaz de perceber os pequenos sinais que logo no começo aparecerão e podar-lhes os brotos negativos, incômodos, depois não conseguirá mais salvar seu relacionamento quando as proporções danosas atingirem um nível alarmante.
Por isso clamo a todos os jardineiros e amantes: não se esqueçam jamais dessa atitude chamada CUIDADO, pois tanto nos jardins quanto nos relacionamentos amorosos, aquele que possui um profundo amor não se desprende do cuidado que deve ter para com o objeto de seu trabalho e de sua admiração. Está sempre atento para não deixar que nada de mau aconteça ao seu jardim e ao seu amor. Zela, nutre, cura, rega, acompanha e poda os excessos. Com isso, certamente colherá as mais belas flores, verá as mais vistosas folhagens e desfrutará da mais terna plenitude e satisfação em sua vida amorosa.
Complementando: esta não é a fórmula do sucesso, é só a melhor maneira de se evitar o fracasso.

Comentários

  1. você como sempre é brilhante nas suas colocações, gostava bastante de conversar com você e agora adoro ler seus artigos...
    Parabéns... Dayane

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  2. Adorei !!!foi uma bela comparaçao,nao é a toa que diz o ditado :o amor é como uma flor tem de ser regado todos os dias.pena que mesmo sabendo disso acabamos fazendo tudo errado e perdemos grandes oportunidades de sermos felizes!!!!
    Parabens....
    Vilcilene

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  3. A arte de amar, é uma arte como se fosse abstrata, porém rege uma regra não unica de ser, mas de ambas ser. Algo de união, de unção e ressentimento, com mistura de reciprocidade, e por acharmos que o abstrato pode ser qqr coisa, ela nos foge... nos escapa, nos perde!
    O amor, tão sensível como uma pétala de rosa, aproveitando a comparação com o jardim, mas, tão intenso, e imenso como algo sem tamanho, e sem fim...
    O amor, sempre regado a sua media, nem sempre é a correta medida, o amar frequente, ele adere um inconsequente ser inconsciente, que acredita q amar, é sempre sem medidas, por ele nos cegar.
    As mudas crescem, as frutíferas, e as mesmas secam se não regar... Portanto, o amor, deve estar em constante cuidado, ao molhar, ao cuidar, ao zelar... Isso eu concordo plenamente!
    Me admira todo esse zelo de cuidado num dos palavriados e numa reflexão masculina, a qual o entendimento do sentir, do explicitar e se presever, esta longe de seu pensar, so seu agir, e tentar ao menos explicar.
    Admirada, sempre plausivel... sempre ótimo!
    Keity

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  4. professor essa foi a 1 vez q leio o q vc escreve adooreii... e sei q sempre vou voltar aki...sou sua aluna no caic no turno da noite:2 B ....adoreiii....ass?Andreza

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