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Controle emocional e autoconhecimento

Por que temos tanta dificuldade em lidar com os nossos sentimentos e emoções? Por que mesmo depois de tantas descobertas a respeito daquilo que nos rodeia ainda possuímos tanto distanciamento daquilo que se refere ao nosso ser mais íntimo? Somos estranhos dentro da nossa própria casa, lidamos com nosso corpo e mente como se eles nos fossem alheios. Mergulhar para dentro de si é lançar-se ao encontro de muitas coisas que não queremos encarar.
Nos acostumamos ao fingimento constante, muitas máscaras que nos oferecem uma suposta segurança e nos afastam do angustiante encontro com o nosso Eu mais profundo, aquele que nos encanta menos do que nos aterroriza, nos desvela e faz com que percebamos a nossa profunda solidão e o quanto o limiar da sanidade e da loucura, da razão e da bestialidade, da bondade e da atrocidade nada mais é que uma fina linha que pode se romper com um leve sopro no seu ponto mais frágil.
No fundo dessa camada superficial que sustenta a nossa personalidade social, habita um ser que não é dono daquilo que sente e nem pode escolher por quem sente e nem mesmo deixar de sentir o que quer que seja. Controle emocional é uma utopia que a maioria almeja. Ela nos faria mais donos de nós mesmos, mais próximos do nosso ideal de perfeição e mais distante da animalidade que nos acompanha desde os primórdios de nossa evolução, nos lembrando constantemente que ainda temos muito do animal em nós, que o humano ainda é uma camada de tinta bastante fresca que pode ser lavada com uma breve chuva de verão.

Quem quer realmente obter um controle emocional verdadeiro deve em primeiro lugar travar um encontro franco com tudo o que habita nos mais profundos recônditos de sua alma, encarando cada monstro, compreendendo-o em todas as suas facetas e manifestações, trazendo-o a tona e transformando-o em um apoio para o seu crescimento pessoal. A energia dos nossos demônios devem ser utilizadas de forma a alicerçar o nascimento daquilo que de melhor pode de nós brotar e ser lançado ao mundo. Um trabalho de parto que nem todos são capazes de realizar, mas que é a única forma de realmente dar uma finalidade positiva a tudo aquilo que trazemos dentro de nós. O resto são só mentiras confortáveis com as quais tentamos colocar os nossos monstros para dormir, na esperança de que eles nunca acordem.

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